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quinta-feira, 28 de março de 2013

O regresso de Sócrates

Oh, lecas, tu queres lá ver que...

Bem, pareceu-me que o percurso da entrevista esteve condicionado por razões próprias que não o esclarecimento da opinião pública... demasiado tempo perdido com tretas (a última semana, os prós e os contra Sócrates na RTP...), com os jornalistas a insistirem no vazio.

Depois, Sócrates tem razão, insiste-se numa narrativa, visível na própria linguagem, nos erros dos jornalistas, na formulação das questões que já pressupõe um certo tipo de resposta.

Depois, o que se pôs em cima da mesa foi aquilo em que, precisamente, Sócrates tem e sempre teve razão (na minha perspectiva), mas foi posto de acordo com uma certa perspectiva global HOJE tida por "realista" e "objectiva"... As perguntas relativas às asneiras de Sócrates ficaram por fazer, ou fizeram-se apenas no final (o caso BPN), e ficaram praticamente por tocar talvez porque a tal "narrativa" fez ainda mais asneiras do que Sócrates nessa matéria... Na verdade, onde Sócrates de facto falhou, Passos falhou ainda mais... Quer dizer, Sócrates fez muita asneira, mas, na minha perspectiva, não onde se supõe, ou não da maneira que se supõe...

Na generalidade, penso que Sócrates esteve muito bem, não só por mérito próprio (que parece ter algum, pelo menos de retórica e de memória), mas sobretudo porque os jornalistas insistiram em confrontar Sócrates com aquilo em que ele tem razão... Não sei se isto foi encomendado por inimigos de Sócrates a quem assim o tiro saiu pela culatra, ou se foi encomendado pelos seus amigos numa farsa bem sucedida, ou se os jornalistas estão simplesmente tão imersos na "narrativa" que não vêem nada senão essa mesma narrativa.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Crise e Soberania

Oh, lecas, tu queres lá ver que...

(não) temos Soberania...

Para alguns Napoleão deveria ter-nos conquistado. Para outros, o problema vem de mais longe: a independência foi um erro. Para mais, cometemos o erro duas vezes: primeiro com D. Afonso Henriques, depois quando restaurámos a independência (no reinado de Filipe III, o IV de Espanha).

Mas agora parece que finalmente entregámos os nossos destinos a uma entidade externa mais competente: a troika. Na verdade são três entidades, o que lhes garante mais competência ainda. E podemos pensar numa quarta entidade, sempre por perto, a Alemanha.

Percebemos, já, que não nos sabemos governar. Não se percebe para que foi todo esse esforço quase milenar para conquistar, manter e reconquistar a independência. Nós acabámos por entregar a nossa soberania numa bandeja.

Se os Espanhóis de outro tempo se tivessem lembrado de tal esquema: em vez de nos mandarem exércitos, mandavam-nos "ofertas", propunham-nos a compra de casas e terras em Castela, vendiam-nos um rochedo, e assim nos levavam a endividar-nos. Depois, para pagar a dívida, teriamos entregue a nossa soberania. Como é que não se lembraram disso?

Imaginem os generais de Napoleão a vender-nos todo o tipo de propriedades, coisas muito úteis e também luxuosas, em vez de nos mandar soldados. Várias vantagens: não teria que suportar o preço do exército; ainda ganhava dinheiro; teria concerteza conquistado o nosso país, pois nós teríamos facilmente aceite a sua ajuda.

Com isto não estou a "recriminar" quem nos emprestou dinheiro, nem estou a dizer que não deveríamos pagar o que nos emprestaram. Estou a notar um facto: não sabemos governar-nos.

Por que será?

Cada povo tem os governantes que merece. E cada governante tem o povo que merece. Nós falamos muito mal dos políticos. Mas eles "somos" nós. São os políticos que temos, que somos. São como nós. Todos os dias reconheço em Sócrates o português comum, e no português comum Sócrates. Somos todos responsáveis. Todos. E, tipicamente à português, isto dá-nos um alívio especial.

domingo, 13 de setembro de 2009

Sócrates vs Leite

Oh, lecas, tu queres lá ver que...

Sócrates parece ter lido todos os jornais e afins que havia para ler dos últimos 10 anos... ou alguém por ele.

O Primeiro-Ministro estudou bem a lição, o programa do PSD, os dossiers, o passado de Leite...

Sócrates ganhou o encontro... Ferreira Leite tentou marcar alguns golos, mas bateram na trave. Sócrates fala bem, discursa bem e, o que é muito importante, é muito bom em "escuta activa". Ouve e contra-ataca.

A assertividade do Primeiro-Ministro é de primeira categoria.

Foi um debate exemplar em que a retórica foi rainha. Poderia ser usado para ilustrar a retórica, nas aulas de Filosofia.

Claro que a
retórica se dedica ao estudo das práticas persuasivas no discurso, não necessariamente com sinceridade.

Claro que um bom retórico fala com verosimelhança, mesmo que diga as maiores mentiras.

Mas foi um bom debate. Interessante. Emocionante. Divertido. Esclarecedor?! Não sei se foi esclarecedor, pois já sabiamos que Sócrates falava bem.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sócrates vs Louçã

Oh, lecas, tu queres lá ver que...


O debate entre Sócrates e Louçã começou com a discussão em torno da Mota-Engil com o Primeiro-Ministro a defender o ajuste directo do terminal de contentores à Mota-Engil. Francisco Louçã realçou ainda que será adjudicada à mesma empresa a auto-estrada Oliveira de Azeméis-Coimbra por uma quantia superior em 500 milhões de Euros. Sócrates não aceitou a afirmação. Nós ficamos com a mesma sensação de que algo vai mal por aqui.


Discutiu-se a nacionalização. Nós sabemos que o Bloco pretende a nacionalização da banca, das seguradoras e do sector energético. Também sabemos que Sócrates não concorda pois ele sabe que isso iria criar complicações na economia e nas finanças.


Eleminar os benefícios sociais da educação e da saúde parece algo de estranho num programa de esquerda, a não ser que seja explicado que isso se defende para um sistema em que a educação e a saúde são gratuitas. Francisco Louçã tentou explicar isso. Mas a forma como o fez não pareceu incisiva. Ou seja, foi mais fácil a Sócrates sublinhar que esses benefícios, segundo o Bloco, deveriam terminar, do que foi a Francisco Louça explicar que esses benefícios já não fariam sentido se os sistemas de saúde e educação fossem gratuitos.
A existência de taxas moderadoras para as cirurgias e internamento são absurdas. As propinas são uma usurpação do direito dos cidadãos à educação superior. Por princípio, concordo que o sistema fiscal deve assentar na simplicidade, pois ao existirem muitas excepções e benefícios isso significa que quem não for capaz de interpretar essas subtilezas irá ficar de fora dos benefícios. Mas não sei até que ponto Francisco Louçã foi capaz de deixar isto claro para o português comum.


O imposto sobre as grandes fortunas e a ideia de taxar os ganhos milionários dos gestores são, de alguma forma, complementares. As grandes fortunas devem ser taxadas e Francisco Louçã soube defendê-lo. Sócrates quer taxar os vencimentos milionários de forma mais agressiva, o que também me parece válido.


A guerra dos números relativamente ao desemprego é sempre igual. O Governo fala de conjectura e a oposição da falta de acuidade das regras estatísticas. Mas as estatísticas e os números são armas de uma guerra que as pessoas que estão desempregadas vivem dia-a-dia. O que se quer são soluções. As soluções que o Governo propõe são sempre insuficientes para a oposição e os desempregados querem é emprego.


Diferenças e entendimentos. Por tudo isso o Bloco não quer nada com o PS e o PS sente-se melindrado pela atitude do Bloco.


A referência às camas do Hospital de Seia foi uma parte muito interessante do debate, a rivalizar com a discussão da política financeira e económica. E pareceu-me que este episódio revelou bastante. A cena de se inaugurar um Hospital e, no dia seguinte, devolver as camas ao fornecedor parece episódio de uma peça de teatro, cómico. Mas como tudo se passou no palco da realidade, parece-se mais com uma tragédia...


No final do debate (e não só) Sócrates fez questão de esclarecer o público de que se ele não ganhar, ganha Ferreira Leite e não o Francisco Louçã. Por seu lado, Louçã tentou mostrar que a sensibilidade do eleitor está a mudar dando o exemplo de Manuel Alegre e mencionando a percentagem de votos que o Bloco teve nas europeias.


Por tudo isto é complicado saber quem ganhou o debate. Mas parece-me que a Judite está mais loura! Ou não?

domingo, 6 de setembro de 2009

A ironia na promoção ao Jornal Nacional

Oh, lecas, tu queres lá ver que...





E se...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Manuela Moura Guedes e a suspensão do Jornal Nacional



Manuela Moura Guedes e a suspensão do Jornal Nacional pelos espanhóis...

Oh, lecas, tu queres lá ver que...

Bem, fui apanhado de surpresa por esta notícia ao vir do trabalho e... fiquei sem saber muito bem o que pensar... Cheguei a casa e lancei-me aos jornais online, li o que havia, os comentários ao que havia, e corri para a blogosfera...

Bem, continuo sem saber bem o que pensar! Mas há algumas coisas que parecem dever ser pensadas.

Primeiros: nesta questão toda as notícias e sítios oficiais ou mais ou menos oficiais parecem estar a defender a posição de Manuela Moura Guedes (MMG), no Jornal Nacional de sexta-feira, com unhas e dentes;

Segundos: parece que o público que comenta as notícias é mais crítico nesta matéria do que os próprios jornalistas ou comentadores profissionais, pois não embala sem mais nessa vitimização de MMG;

Terceiros: o Jornal Nacional não me parece nada um primor a fazer jornalismo, as notícias nem sempre parecem ser transmitidas com isenção (seja isso lá o que for); posto isto, a pivô MMG ainda me parece menos imparcial, e ela própria o admite (sendo que admito que não acredito que se possa ser isento de opinião da mesma maneira que se pode ficar isento de IRS ou IMT); um jornalista é um ser humano (sim, é verdade);

Quartos: não gosto (lá estou eu a ser parcial) da forma como a pivô MMG conduz o Jornal Nacional, de resto, não gosto do Jornal Nacional em geral; parece-me superficial, pouco rigoroso; a pivô em causa, bem como este serviço informativo em geral, parece-me que não aprofunda os temas, que os explora apenas pela rama, ao nível daquilo que causa mais sensação; trata-se de um serviço que, diria eu, está virado para gerar audiências, e não para informar o auditório;

Quintos: o facto de ter acontecido este episódio todo não óbvia nenhuma dessas observações, isto é, não foi o facto de o Jornal Nacional de sexta com MMG ter sido suspenso que, de repente, tornou aquele serviço idónio ou aquela jornalista mais (ou menos) profissional do que era antes;

Sextos: a observação anterior também não nega que não devem existir intromissões políticas nos serviços de comunicação e informação pública, quer sejam privados quer sejam públicos; o facto de eu não gostar daquele serviço permite-me dizê-lo - eu posso não gostar e posso dizer que não gosto, e dizer por que razão não gosto; mas, se eu for Primeiro-Ministro (lol), não devo/posso mandar despedir ou suspender esse serviço informativo, nem as funções de um determinado jornalista (apesar de não gostar);

Sétimo: tanto quanto pude ver até agora (19:35 de 03-09-09) não me parece certo que tenha sido Sócrates a mandar o que quer que seja nesta matéria; aliás, acredito que existam estas ou aquelas pressões (de resto, quase tudo pode ser considerado pressão), mas interessa saber o que se entende por pressão em cada caso, ou seja, que pressões exactamente "existiram durante muito tempo", como disse José Eduardo Moniz? É que uma coisa é o Primeiro-Ministro dizer que aquele telejornal (?) era travestido - o que pode ser considerado, de algum modo, pressão - outra coisa é existirem ameaças ou promessas por parte de Sócrates para levar ao despedimento; quero com isto dizer, convinha nós, anónimos cidadãos, sabermos que raio de pressões foram essas;

Oitavos: é tão provável (neste momento), para mim, que tenha sido o PS (ou parte dele ou do seu governo) a exigir a suspensão daquele serviço noticioso, como é que tenha sido a oposição (ou parte dela) a solicitar um tal acontecimento como forma de despoletar toda esta discussão; sejamos claros, quem mais perde com toda esta cena é o candidato do PS, José Sócrates (de quem eu também não gosto particularmente); portanto, na minha humilde perspectiva, ganhou-se o facto de nos termos livrado de uma pivô que fazia um jornalismo sensacionalista, sem grande cuidado no aprofundamento dos temas e que tende para as peixeiradas, e ainda se ganhou o facto disto tudo afundar ainda mais a possibilidade real de Sócrates chegar ao governo outra vez; resta saber se, destas consequências que, isoladamente, me parecem positivas, não irão ainda resultar danos colaterais;

Nonos: resta também que é perfeitamente possível que tudo isto se tenha causado por quaisquer outros motivos escondidos nos cérebros contabilisticos, ou nos espíritos eticamente preocupados, dos espanhóis que, eles sim, mandam na TVI;

Décimos: finalmente, já alguém reparou que tudo isto resultou de ordens que vieram do estrangeiro? Eu considero tudo isto muito natural, é claro! Vivemos num mundo sem fronteiras (lol) e eu acho tudo isto muito bonito. Mas talvez a Prisa se esteja apenas a vingar de José Sócrates por este, no passado, ter impedido que a PT anexasse/comprasse parcialmente a TVI. I'm just kidding!!!