Manuela Moura Guedes e a suspensão do Jornal Nacional pelos espanhóis...Oh, lecas, tu queres lá ver que...
Bem, fui apanhado de surpresa por esta notícia ao vir do trabalho e... fiquei sem saber muito bem o que pensar... Cheguei a casa e lancei-me aos jornais online,
li o que havia, os comentários ao que havia, e corri para a blogosfera...
Bem, continuo sem saber bem o que pensar! Mas há algumas coisas que parecem dever ser pensadas.
Primeiros: nesta questão toda as notícias e sítios oficiais ou mais ou menos oficiais parecem estar a defender a posição de Manuela Moura Guedes (MMG), no
Jornal Nacional de sexta-feira, com unhas e dentes;
Segundos: parece que o público que comenta as notícias é mais crítico nesta matéria do que os próprios jornalistas ou comentadores profissionais, pois não embala sem mais nessa vitimização de MMG;
Terceiros: o
Jornal Nacional não me parece nada um primor a fazer jornalismo, as notícias nem sempre parecem ser transmitidas com isenção (seja isso lá o que for); posto isto, a pivô MMG ainda me parece menos imparcial, e ela própria o admite (sendo que admito que não acredito que se possa ser isento de opinião da mesma maneira que se pode ficar isento de IRS ou IMT); um jornalista é um ser humano (sim, é verdade);
Quartos: não gosto (lá estou eu a ser parcial) da forma como a pivô MMG conduz o
Jornal Nacional, de resto, não gosto do
Jornal Nacional em geral; parece-me superficial, pouco rigoroso; a pivô em causa, bem como este serviço informativo em geral, parece-me que não aprofunda os temas, que os
explora apenas pela rama, ao nível daquilo que causa mais sensação; trata-se de um serviço que, diria eu, está virado para gerar audiências, e não para
informar o auditório;
Quintos: o facto de ter acontecido este episódio todo não óbvia nenhuma dessas observações, isto é, não foi o facto de o
Jornal Nacional de sexta com MMG ter sido suspenso que, de repente, tornou aquele serviço idónio ou aquela jornalista mais (ou menos) profissional do que era antes;
Sextos: a observação anterior também não nega que
não devem existir intromissões
políticas nos serviços de comunicação e informação pública, quer sejam privados quer sejam públicos; o facto de eu não gostar daquele serviço permite-me dizê-lo - eu posso não gostar e posso dizer que não gosto, e dizer por que razão não gosto; mas, se eu for Primeiro-Ministro (lol), não devo/posso mandar despedir ou suspender esse serviço informativo, nem as funções de um determinado jornalista (apesar de não gostar);
Sétimo: tanto quanto pude ver até agora (19:35 de 03-09-09) não me parece certo que tenha sido Sócrates a mandar o que quer que seja nesta matéria; aliás, acredito que existam estas ou aquelas pressões (de resto, quase tudo pode ser considerado
pressão), mas interessa saber o que se entende por
pressão em cada caso, ou seja, que pressões exactamente
"existiram durante muito tempo", como disse José Eduardo Moniz? É que uma coisa é o Primeiro-Ministro dizer que aquele telejornal (
?) era
travestido - o que pode ser considerado, de algum modo, pressão - outra coisa é existirem ameaças ou promessas por parte de Sócrates para levar ao despedimento; quero com isto dizer, convinha nós, anónimos cidadãos, sabermos que raio de pressões foram essas;
Oitavos: é tão provável (neste momento), para mim, que tenha sido o PS (ou parte dele ou do

seu governo) a exigir a suspensão daquele serviço noticioso, como é que tenha sido a oposição (ou parte dela) a solicitar um tal acontecimento
como forma de despoletar toda esta discussão; sejamos claros, quem mais perde com toda esta
cena é o candidato do PS, José Sócrates (de quem eu também não gosto particularmente); portanto, na minha humilde perspectiva, ganhou-se o facto de nos termos livrado de uma pivô que fazia um jornalismo sensacionalista, sem grande cuidado no aprofundamento dos temas e que tende para as peixeiradas, e ainda se ganhou o facto disto tudo afundar ainda mais a possibilidade real de Sócrates chegar ao governo outra vez; resta saber se, destas consequências que, isoladamente, me parecem positivas, não irão ainda resultar danos colaterais;
Nonos: resta também que é perfeitamente possível que tudo isto se tenha causado por quaisquer outros motivos escondidos nos cérebros contabilisticos, ou nos espíritos eticamente preocupados, dos espanhóis que, eles sim, mandam na TVI;
Décimos: finalmente, já alguém reparou que tudo isto resultou de ordens que vieram do estrangeiro? Eu considero tudo isto muito natural, é claro! Vivemos num mundo sem fronteiras (lol) e eu acho tudo isto
muito bonito. Mas talvez a Prisa se esteja apenas a vingar de José Sócrates por este, no passado, ter impedido que a PT
anexasse/comprasse parcialmente a TVI.
I'm just kidding!!!